A minha rua...Bairro Cultura Raiz



A cidade de Salvador
 

  • CONTEXTO HISTÓRICO
Ao desembarcar na Baía de Todos os Santos para fundar a Cidade de Salvador, em 1549, o governador-Geral Tomé de Souza escolheu um local favorável para construir uma fortaleza que pudesse abrigar a administração colonial e sustentar a posse portuguesa das terras brasileiras. Salvador era o principal ponto de acesso natural para a navegação a vela devido as correntes marítimas  favorecendo  o comércio europeu e de outros continentes. Em 1550 Salvador era o principal porto marítimo da América do Sul, no comércio e do tráfico de escravos. Houve uma grande expansão territorial devido a quantidade de pessoas que passaram habitar a cidade, pois Tomé de Souza encontrou na área que fica entre a Misericórdia e a praça Castro Alves, o local ideal para construir a primeira cidade, pois além de possuir bons ares, água abundante e um porto com ancoradouro seguro na Baía de todos os Santos, essa área favorecia uma visão ampla, a longa distancia. 
  • O SUCESSO DE SALVADOR
Tornou-se igualmente o principal centro da industria do açúcar e do comércio de escravo
Tomé de Souza necessitava tanto de recursos humanos como materiais. Assim , chegaram à Bahia, com Tomé de Souza, cerca de 1.000 homens, ferramentas, alimentos, remédios, dinheiro e também escravos trazidos da África para serem vendidos e trabalharem na agricultura, mineração, trabalho domésticos e em outras atividades em Salvador.  Com mais de 450 anos de existência, a capital baiana tem em cada pedaço de chão uma história referente ao inicio do Brasil. 

A cidade prosperou rapidamente ao longo das décadas seguintes, afirmando-se como capital do Brasil e uma das cidades mais importantes do Novo Mundo. Salvador era o principal centro de missionação católica, tendo sido elevada a sede do bispado logo em 1552.
  • SURGIMENTO DO BAIRRO DA BOCA DO RIO
A região, hoje conhecida por Boca do Rio,pertencia á freguesia de Nossa Senhora de Brotas, que ia do engenho da Bolandeira até a fronteira de Itapoã. A historia do bairro da Boca do Rio inicia-se na época dos escravos, que saindo do Quilombo do Cabula iam se banhar e pescar nas águas da boca desse rio que era conhecido como: Rio das Pedras. A historia da propriedade das terras da Boca do Rio, teve três grandes proprietários: Dom Antonio Ataíde ( O conde das Castanhedas)e sendo primo de Tomé de Souza; Os Monges Beneditinos e o Povoador Garcia D'Avila, filho de Tomé de Souza   primeiro governador geral do Brasil e que veio para fundar Salvador.A família Garcia D'Avila recebeu de Tomé de Souza Uma grande sesmaria que ia de Itapoã até a região de Mata de São João, região onde foi construído o Castelo Da Torre ou Casa da Torre de Garcia D'Avila; seus descendentes multiplicaram por muito tempo a propriedade, plantando coco no Litoral da Bahia até o Maranhão e criando gado Nelore(zebu)vindos da Índia para o sertão do Nordeste até o Piauí,  trazidos para cá por sua família.Garcia D'Avila foi o primeiro bandeirante do nordeste brasileiro com um legado histórico, pois foi o maior latifúndio já existente no Brasil ou no mundo e se tornou o homem mais poderoso da Bahia no século XVI. O latifúndio do Garcia D'Avila era administrado a partir da Casa da Torre que foi construída  de 1551 até 1624. A torre do Castelo era posto de observação estratégico, possuía uma fogueira e servia como elemento de comunicação com outras torres do litoral norte da Bahia em caso de ameaça de invasão inimiga; tinha função militar e protegia a região de ataques indígenas revoltados ou invasões de corsários que se aventuravam pela costa brasileira a exemplo do pirata barba Rocha. No século XIX  o conde do Rio Vermelho Manoel Inácio da Cunha Menezes se tornou o dono das terras da Boca do Rio, residia onde é hoje o antigo Aeroclube e explorava com a ajuda de escravos a pesca do peixe Xaréu e de baleia, em que montou uma oficina de óleo de baleia.  
   A praia de Armação, conhecida como praia do Chega Nêgo era ponto de chegada de negros trazidos da África, servindo para o desembarque clandestino de escravos durante o período em que o tráfico oficial foi proibido. Os escravos eram depositados numa senzala construída à beira da praia até serem comercializados, lugar este, conhecido como Casa de Pedra que hoje está localizado a casa de show e restaurante Tropicana ao lado do restaurante Yemanjá na avenida Otávio Mangabeira. 
    Na Bahia, até o século XIX, o tráfico de escravos enriqueceu muita gente,como foi mencionado o fato de que Garcia D’Ávila e os seus descendentes ao multiplicarem sua propriedade, plantaram coco ao longo de todo o litoral, constituindo assim a grande fazenda de Cocos que antes era conhecida nessa região. 
   Atualmente, sabe-se que toda a região  de uma fazenda Garcia, que recebe este nome devido a presença da fazenda  do Conde Garcia D'Avila e a porteira da fazenda ficava na área  do atual colégio Edgar Santos. O nobre morava no coração onde funciona  hoje o colégio Dois de Julho, preservado como patrimônio histórico. É um bairro  central e populoso e abriga  nos seus limites as sedes de três grandes colégios de Salvador ( 2 de Julho, Sacramentinas e Antônio Vieira.   Os loteamentos dos herdeiros da Casa da Torre foram sendo vendidos, originando grandes mansões, as quais, em boa parte do ano, viviam fechadas.  
O bairro da Boca do Rio é formado por pessoas afrodescendentes dos negros  trazidos da África para o Brasil. A atividade pesqueira iniciou o povoamento da comunidade com a pesca de xaréu( conhecido como peixe dos pobres) e bagre na boca desse Rio das Pedras e também pela chegada e saída das jangadas tradicionais pela boca desse mesmo rio como ponto inicial de colonização.Outro fator que contribuiu para o povoamento da Boca do Rio foram pessoas que queriam montar suas casas de veraneio em um lugar cercado por dunas.
  • Os primeiros moradores:
  As casas eram de taipa e chão batido, cobertas de palhas e habitadas por pescadores. Nessa época os negros do quilombo do Cabula em busca de fartura de xaréus e bagres e ali fixavam moradia e dedicavam-se a pesca e a fabricação de vassouras de piaçava. O nascimento do bairro foi em 1950, mas foi em 1960 com a chegada dos moradores das ocupações de "Bico de Ferro" na Pituba e de outros moradores da Ondina que foram expulsos por Antônio Carlos Magalhães desde referidos bairros por serem bairros planejados. Outro ponto é o nome dos sub-bairros que revelam um poco dessa história como : 
Curralinho- local usado como curral de fazenda.
Baixa do Cajueiro- árvores abundantes nesta restinga.
Baixa Fria- nascido de um brejo que ali existia.
Alguns construíram casas ao redor do aeroclube, mas não havia nem água, nem luz quando essas 800 famílias vieram de Ondina e chegaram a Boca do Rio. E até hoje o local é conhecido por Alto de Ondina. Outro fator que contribuiu foi a construção de casas de veraneio em um lugar paradisíaco . Até a década de 60 tinha uma lagoa e um manguezal(hoje aterrada). 
A primeira rua asfaltada na Boca do Rio foi a rua da Moenda em 79 e a primeira empresa de ônibus foi a ITT. 
(Final de linha da Boca do Rio 1977)

Antigo Aeroclube da Boca do Rio em 1976

Na Política
Esta comunidade sempre foi pioneira nas discussões políticas que envolvem seu povo.Quando o poder público convocou a comunidade para debater, eis que como sempre,a boca do rio compareceu em massa e foi a primeira a terminar as discussões, além de ser a comunidade com mais contribuições a PPDU(Plano diretor de Desenvolvimento urbano).
Deram um show de cidadania sendo a comunidade que se juntou, e foram sendo organizadas, audiências públicas, entrevistas na imprensa, para as demandas que iam aparecendo:Foi apresentado o projeto de um novo Emissário Submarino, que juntaria o esgoto não tratado da cidade de Lauro de Freitas e Região metropolitana de Salvador e o despejaria sem o mínimo tratamento prévio numa área de Mata Atlântica do Parque de Pituaçu que seria destruída para construção do "pinicão" e o pior, as tubulações passariam pelo meio da praia do artistas, praia histórica da Boca do Rio. Luta contra um muro criminoso que ergueram separando um condomínio de classe média de uma favela do bate Facho, "Muro da Vergonha" como foi chamado, essa foi apenas algumas das brigas comunitárias. 



Religião
Se falar de religião, a Boca do Rio é singular, uma comunidade que nasceu dos ritos afro-brasileiros e que já recebeu inúmeros acampamentos ciganos; hoje, as igrejas evangélicas são dezenas, igrejas católicas, terreiros de candomblé, centro budista, abrigou um centro de práticas indianas, um centro de Yoga, templos messiânicos entre diversos centros religiosos.
Em 09/12/2004- Um terreiro de candomblé da Boca do Rio, o Pilão de Prata ganhou placa comemorativa ao tombamento feito pelo Instituto do Patrimônio Artístico e cultural da Bahia (IPAC) 



Culturalmente
A comunidade da Boca do Rio sempre esteve envolvida na cultura, a Escola Picolino de Artes do circo que começou em 1985, com caráter de circo social e até hoje desenvolve suas atividades e completa 33 anos  agora em 2018. Nestas três décadas de existência como escola de arte circense, associação não governamental de arte-educação, ou simplesmente como circo.A Picolino ganhou um significado e uma relevância cultural.
Na década de 70 a Boca do Rio era reduto hippie, era visitada por muitos artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa. Hoje a praia é conhecida como Praia dos Artistas, reduto da Tropicália. Gilbero Gil cita a Boca do Rio em uma de suas músicas:
Domingo no Parque
O rei da brincadeira (ê, José)O rei da confusão (ê, João) 

Um trabalhava na feira (ê, José)Outro na construção (ê, João) 

A semana passada, no fim da semana João resolveu não brigar 

No domingo de tarde saiu apressado E não foi pra Ribeira jogar capoeira.Não foi pra lá, pra Ribeira, foi namorar 

O José como sempre no fim da semana Guardou a barraca e sumiu 

Foi fazer no domingo um passeio no parque Lá perto da Boca do Rio Foi no parque que ele avistou Juliana 
Foi que ele viu Foi que ele viu Juliana na roda com João 

Uma rosa e um sorvete na mão Juliana seu sonho, uma ilusão 

Juliana e o amigo João O espinho da rosa feriu Zé 

E o sorvete gelou seu coração O sorvete e a rosa (ô, José) 

A rosa e o sorvete (ô, José) Foi dançando no peito (ô, José) 

Do José brincalhão (ô, José) O sorvete e a rosa (ô, José) 

A rosa e o sorvete (ô, José) Oi, girando na mente (ô, José) 

Do José brincalhão (ô, José) Juliana girando (oi, girando) 

Oi, na roda gigante (oi, girando) Oi, na roda gigante (oi, girando) O amigo João (João) O sorvete é morango (é vermelho) 

Oi girando e a rosa (é vermelha) Oi, girando, girando (é vermelha) Oi, girando, girando...Olha a faca! (olha a faca!) 

Olha o sangue na mão (ê, José) Juliana no chão (ê, José) 

Outro corpo caído (ê, José) Seu amigo João (ê, José) 
Amanhã não tem feira (ê, José)Não tem mais construção (ê, João) Não tem mais brincadeira (ê, José)Não tem mais confusão (ê, João).



Esta comunidade se caracteriza pelo pioneirismo. A posição vanguardista no campo cultural e político, reduto do movimento hippie, da Tropicália e de outros acontecimentos que transformou essa comunidade:O primeiro topless registrado na Bahia foi na Boca do Rio, na Praia dos Artistas; a liberação do mundo gay com a Barraca Aruba, a primeira Barraca de Praia GLBTT de Salvador segundo alguns militantes; primeiro disco do Olodum, com a participação de Jerônimo,O primeiro Grafiteiro do Brasil, também é nosso, Glei Melo é artista plástico e foi pioneiro na arte do grafite, hoje continua morando na Boca do Rio. É a comunidade nordestina que mais recebeu líderes de estado, destacamos o Presidente Castelo Branco em agosto de 1966.O Papa João Paulo II em 1991, e foi na Boca do Rio, no antigo Aeroclube.O 12º Congresso da Organização das Nações Unidas (ONU)em 2010, no Centro de Convenções da Bahia, com quatro mil participantes de 140 países entre organizações não-governamentais, delegações estrangeiras, ministros e chefes de estado.
Glei Melo é artista plástico

O Papa João Paulo II em 1991

Boca do Rio nos dias atuais: No bairro da Boca do Rio hoje ainda existe o areal preservado pelos antigos moradores, também existe um pedaço da Mata Atlântica que é a atual mata do exército. Ainda existem também as quitandas de vendedores de frutas e verduras. O que não mudou é a praias dos artistas, lá esta localizada a quadra de futebol e a casa dos pescadores que continua ativa, onde eles moram saem para pescar pela manhã, e mais tarde vão para as ruas para vender os peixes. E todo os domingos o futebol com todos os moradores, passando em casa em casa chamando os outros e seguindo.
Hoje ainda existe os pescadores que vendem peixes frescos na porta, igual a antigamente.

Principal mudança daquela época para os dias atuais: 
A chegada do progresso, ônibus que não tinha a rua asfaltada, água encanada.  

A Construção da Avenida Paralela

A Avenida Luís Viana é uma homenagem ao ex- governador da Bahia Luís Viana, mais conhecida como Avenida Paralela é uma importante via pública da cidade de Salvador.
Às margens da Paralela estão uma das mais importantes áreas ambientais da cidade, e continua sendo considerada uma área de expansão urbana, o que possibilita a novos empreendimentos imobiliários, por isso tornando-a o maior eixo de desenvolvimento de Salvador.

A avenida foi construída no contexto das intervenções urbanas viárias da década de 1970 em Salvador. Em alternativa à Estrada Velha do Aeroporto, um novo caminho foi aberto aos bairros e praias mais ao norte da cidade, como  Pituaçu e Itapoã .Dessa forma, novos bairros surgiram e se consolidaram como  por exemplo o  Imbuí, predominantemente, residencial e de classe média alta e vizinho ao bairro da Boca do Rio. Suas principais vias sãoː a avenida Paralela, a avenida Jorge Amado e a avenida Otávio Mangabeira, na orla. Foi implantada, recentemente, o Complexo Viário do Ímbui, que melhorou o trânsito na região, pois apresenta um grande número de comercio de pequeno porte, supermercados, clínicas, restaurantes, bares, colégios e os centro comerciais mais conhecidos sãoː o Caboatã, Imbuí Plaza, Centro Comercial Imbuí (CCI), Silver e Gaivota. A Avenida Luís Viana, implantada em 1974, contribuiu para a mudança da estrutura da cidade.

O Imbuí
Inicialmente, o bairro era conhecido como Bolandeiras, e era caracterizado pelas suas  dunas. A partir de 1978, com a construção de condomínios residenciais como o Rio das Pedras, o Parque Residencial Vivendas e o Moradas do Imbuí às margens da avenida Luiz Viana (Paralela), o bairro passou a ser conhecido pelo seu atual nome. Inicialmente, sua população era constituída por trabalhadores do Polo Industrial de Camaçari.
Nos últimos anos, o bairro tem crescido muito, com o processo de verticalização do bairro que já afetou até lugares vizinhos, como o condomínio Marback. Adicionalmente, observa-se o crescente número de moradias de classe baixa, instaladas em áreas do bairro anteriormente pouco habitadas, caracterizando um processo de urbanização desregrado, muitas vezes associado às chamadas 'invasões', num processo similar ao ocorrido no bairro vizinho, a Boca do Rio.

Avenida Paralela com o Imbuí ao fundo 

Origem Há vinte e seis anos, em 1978, foram entregues as onze torres de doze andares, totalizando 528 unidades residenciais do Condomínio Rio das Pedras. Nascia assim, as margens da Av. Paralela, o que seria logo batizado de imbuí, nome herdado da inauguração dos vizinhos: Condomínio Parque Residencial Vivendas (8 torres) e Moradas do Imbuí (4 torres). Limites Hoje, plenamente urbanizado, o bairro Imbuí ampliou seus limites, absorvendo o Conjunto Guilherme Marback em direção ao tradicional bairro da Boca do Rio, avançando até as Dunas da Bolandeira, enquanto margeia a antiga Av. Vale do Cascão (atual Av. Jorge Amado), indo ainda, atravessar a Av. Paralela (Luiz Viana Filho).
Localizado as margens da paralela fazendo divisa com o bairro da Boca do rio.

A população do Imbuí geralmente é de classe média e baixa tendo como minoria a classe alta. O bairro Imbuí é um canteiro de obras possuindo várias construções de moradia e empresas. 
Imbui possui diversos modos de lazer gratuito como quadras de futsal e de vôlei, pista de skate e diversos parquinhos. 

A vários meios de transportes existentes no imbuí, um desse meios é o táxi possuindo um ponto de fácil localização e ônibus possuindo pontos em diversas áreas do imbuí, possuindo também um fim de linha em frente ao CCI. Hoje o Imbui é um bairro vertical que possui edifícios de pequeno porte como os do conjunto Guilherme Marback, prédios de médio porte, e prédios de grande porte. 
bairro possui uma economia muito forte com diversos shoppings espalhados por todo o bairro
Alguns shoppings são pontos de referência do Imbui como o CCI( centro comercial do imbui)  
O bairro possui três agencias bancarias alem de diversos caixas automáticos espalhados pelo bairro (Banco do Brasil)
O Imbui possui algumas igrejas evangélicas , possui uma igreja católica muito bem localizada em frente a nova praça  e Paróquia em frente a nova praça. O Imbui não possui um posto de saúde próprio porém a base da Samu da Boca do Rio que fica bem próximo ao Imbui e atende a sua população.


Canal do Imbuí antes das obras realizadas pela prefeitura para a sua drenagem cobertura 

Recentemente o Imbui inaugurou as obras no seu canal onde ele foi drenado coberto e construído uma praça no local 

EU & MEU BAIRRO



Está foto mostra o início do Marback, em que existia ainda uma grande extensão de areal e uma pequena lagoa em que  eu ia brincar todo dia pela tarde.
Eu fui com meus pais e  mais três irmãos morar no bairro da Boca do Rio na localidade ainda hoje conhecida como Baixa do Cajueiro em 1982. 
A  nossa vinda ao bairro da Boca do Rio é que viemos do Centro da Cidade por conta do desabamento do prédio em que estava morando,aqui em Salvador Bahia. Viemos primeiramente de Recife,cidade em que nasci, mas saímos de lá  quando eu tinha três anos,   logo depois do falecimento de meu Avô Srº Olegário Ayres  por conta de um latrocínio. Quando chegamos no centro ficamos em um casarão com risco de desabamento, contudo meu pai na época invadiu o imóvel, e lá moramos por pouco tempo, pois tudo era tão antigo que até a laje do prédio era em madeira.  Enfim mudamos para a Boca do Rio e lá frequentava as praias da Boca do Rio que dava para ir andando, inclusive para a Praia dos Artistas. Naquela  época não havia rede de esgoto na Baixa do Cajueiro, ainda existia mata e muitas casas naquela região. No local não havia água encanada, era uma fonte cavada pelos moradores.Logo em seguida fomos para o Conjunto Guilherme Marback. Este blog me trouxe grande nostalgia...Sair do Marback, mas o Marback não saiu de mim! 

ENTREVISTA 

No dia 23 de novembro de 2018, um dos primeiros moradores do Conjunto Guilherme Marback,que vamos identificá-lo de SrºM  que me concedeu uma entrevista, semi estruturada, que combinam perguntas abertas e fechadas onde falamos em um contexto muito semelhante ao de uma conversa informal sobre suas vivências e experiências quando chegou aquela rua.
Percebo que a principal vantagem da entrevista semi-estruturada é que  Srº M.  aceitou falar sobre determinados assuntos de sua vida, houve bastante interação de proximidade entre o entrevistador e o entrevistado com respostas espontâneas, mesmo sendo assuntos mais complexos. Desse modo, foi possível  a utilização de recursos visuais, como, fotografias, o que pode deixar o entrevistado mais à vontade e fazê-lo lembrar de fatos.  Nome: SrºM 52 anos, solteiro, professor de Artes em escola pública.A segunda entrevistada é uma senhora de 65 anos, viúva,aposentada, mãe de 2 filhas e que identificarei de Senhora ZeZé, pois não me autorizou a identifica-lá.

1º entrevistado
Ana Paula: Qual o ano de chegada a esta rua?
Srº: Fui um dos fundadores do Marback,tudo começou em 30 de junho de 1978.

Ana Paula: O que tinha neste local naquela época? Além dos prédios recém construídos pela Urbis, tinha um grande areal e ainda uma extensa área de mata fechada e uma lagoa que já estava secando, contudo ainda ia brincar lá.
?: 

Ana Paula: Como era o antigo nome da rua?
Srº:Pelo que sei essa localidade era Boca do Rio, mas tinha este conjunto bem lá no alto subindo uma ladeira ainda de barro, pois não era asfaltada e o conjunto ficava deserto com poucos comerciantes ao redor; só mesmo uma padaria e um mercadinho. Para pegar ônibus tinha que ir para o ponto lá de baixo no setor 1*,(continuação do conjunto Guilherme Marback, que era dividido em dois setores).

Ana Paula: Qual a idade que a senhor chegou a esta rua?
Srº: Cheguei lá com 11 anos.Pai, mãe e mais 4 irmãos.

Ana Paula: O que levou a senhor a vim morar aqui, por que escolheu essa localidade?
SrºNa época meus pais vieram tentar levar uma vida melhor em Salvador, pois vieram do interior da Bahia. Veio eu e mais 4 irmãos

Ana Paula: Qual a principal mudança daquela época para os dias atuais?
Srº:A chegada do progresso com a construção da avenida Paralela e a avenida Jorge Amado, ônibus que não tinha, a rua asfaltada. Ainda existem também as quitandas de vendedores de frutas e verduras. O que não mudou é que ainda existem também as quitandas de vendedores de frutas e verduras. O que não mudou é a praias dos artistas, lá esta localizada a quadra de futebol e a casa dos pescadores que está ativa.

Ana Paula:O que a senhor mais sente falta do passado, que o bairro tinha e hoje não tem?Sinto falta das árvores, cajueiros, dá paz pois hoje em dia tem muita violência. Hoje ainda existe a feirinha da Boca do Rio, igual a antigamente. 

Ana Paula: Para o senhor ocupação significa o progresso?
De certa forma sim, por causa que estas ocupações atendam várias várias famílias desabrigadas...

Srº:M


*2º segundo entrevistado
Ana Paula: Qual o ano de chegada a esta rua? 
Zezé:Cheguei no início de tudo logo na época da construção desse condomínio lá por volta de 1978 ou 79 se não me engano.

Ana Paula: O que tinha neste local naquela época?
Zezé:No início, só tinha  o Rio das Pedras, que foi entregue em 1978 com 11 prédios logo ali nas margens da Paralela aí depois suje o Imbuí que foi o primeiro condomínio do bairro planejado por construtoras,  o mais tinha eram as dunas  na paisagem. Nos primeiros anos, o local era ocupado, principalmente, pelos trabalhadores do Pólo, depois isso foi mudando. Mas a gente ficava afastada da cidade. O pão era comprado em uma Kombi que passava todos os dias, e os taxistas só entravam aqui se a gente pagasse a viagem de volta.

Ana PaulaComo era o antigo nome da rua?
ZeZé: Antigamente era conhecido como Bolandeira.

Ana Paula: Qual a idade que a senhora chegou a esta rua?
Zezé: Eu cheguei com 25 anos de idade sozinha depois trouxe minha mãe que veio do interior, e fiquei por 3 anos, aluguei o apartamento e fui morar no centro da cidade, depois de 1 ano retornei para meu apartamento e estou aqui até hoje. 

Ana Paula: O que levou a senhora a vim morar aqui, por que escolheu essa localidade? 
Zezè: Bom,1º por que a aquisição do apartamento na época foi facilitada, pois eu trabalhava no Banco do Brasil, conseguir adquirir as chaves sem problema e no primeiro lote de sorteio fui contemplada, mas não permaneci por conta que era deserto tinha poucos moradores. 2º Era um local bastante arborizado com árvores e coqueiros, com dunas e dava para ir a praia andando( as praias da Boca do Rio)


Ana Paula: Qual a principal mudança daquela época para os dias atuais?
Zezé:Sem dúvida é a questão da violência, está demais!
e falta de infra-estrutura. Quase todos os condomínios, possuem associação de moradores para administrar as  áreas comuns, não se preocupam em administrar o espaço  fechado, diminui o cuidado com o que existe fora dos prédios dos condomínios. Ninguém se reúne para brigar por melhorias no bairro por inteiro

Ana Paula:O que a senhora mais sente falta do passado, que o bairro tinha e hoje não tem?
Zezé:Sinto falta da tranquilidade que existia, onde podia chamar uma vizinha para conversar na porta, das dunas que existia logo aqui perto do prédio.

Ana Paula: Para a senhora ocupação significa o progresso? 
ZeZé: Para área residencial sim, aliado ao aumento das construções, fez surgir o que hoje é o bairro. No início, só tinha apenas  construções que atendiam à necessidade  ligada à rotina dos primeiros moradores, como a abertura de padaria,  farmácia, açougue e mercadinhos. Hoje, a quantidade de serviços e atividade aumentou e de consumidores também. Alguns dos moradores dá preferência ao shopping localizado aqui, mas falta prestígio, pois acabam indo ao outros grandes shopping aqui perto. Aqui dentro do bairro, não temos   grandes empreendimentos para comprar, apesar da posição estratégica.



REFERÊNCIAS DO BLOG:

NASCIMENTO Vieira Amélia Anna. Livro: Dez freguesias da Cidade de Salvador;
VERGER Pierre, ano de 1987; Livro: Fluxo e Refluxo do trafico de escravos entre o Golfo do Benin e a Bahia de todos os Santos;
BACELAR Jeferson, ano de 2014; Livro: Gingas e Nós.



Comentários

  1. Muito bom. É imprescindível conhecermos a história do nosso bairro, são tantas riquezas que desconhecemos. Precisamos despertar em nós o sentimento de pertencimento e de valorização do nosso contexto histórico.

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  2. Riquíssima pesquisa Ana Paula, parabéns !!!

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  3. Massa!! Gosto muito de ler sobre a parte de histórica de formação dos bairros de Salvador. Você foi bem feliz ao contextualizar a história do bairro e trouxe detalhes que não conhecia. Parabéns.

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  4. Muito bom saber o quanto a nossa cidade é histórica

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  5. Muito bom saber o quanto a nossa cidade é histórica

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  6. Adorei conhecer um pouco mais da cidade do Salvador e do bairro da Boca do Rio. Não imagina o quão rico de histórias esse bairro poderia ser. Parabéns Paula por sua pesquisa.

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  7. Muito rico esse conteúdo parabéns engrandece a todos.

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  8. Excelente pesquisa! Parabéns, Ana Paula! Você trouxe informações valiosas sobre o bairro da Boca do Rio, do qual já me sinto pertencente, desde que comecei a atuar como educadora na região.

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  9. Excelente pesquisa, gostei de saber um pouco mais sobre a boca do rio. Um bairro rico e cheio de cultura. Parabéns!

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  10. Parabéns pelo texto 👏👏👏👏 Muito bem escrito, Ótima organização. Adorei saber um pouco mais sobre a boca do rio.

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  11. Nossa!! Parabéns, informações simples, mas fundamentais sobre alguns bairros da nossa cidade. Gostaria que se aprofundasse um pouco mais...senti falta de alguns detalhes sobre o conjunto marback.

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  12. Parabéns, Ana Paula pela pesquisa e pelas informações significantes! Sucesso!!!

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  13. Excelente resgate histórico. Parabéns pela pesquisa. Creio que obter informações tão primordiais sobre os bairros da capital baiana não seja algo fácil, principalmente por você ter abordardado diversos aspectos como religião, cultura, política e outros. Conhecer como se deu o processo de ocupação desses bairros é fundamental para explicar o motivo dos problemas de urbanização que atualmente podemos perceber.
    Trabalho completo e bastante relevante trazendo muitos dados que até mesmo a população que reside nesses bairros desconhece.

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  14. Excelente pesquisa! Não sabia que meu bairro era tudo isso! Agora vou ter um olhar e uma atitude diferente quando se trata do lugar em que moro... Obrigada por informar com bastante precisao.

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  15. Parabéns pelo trabalho, muito bom conhecer nossa história a fundo, como se originou os bairros de Salvador e como a nossa capital teve uma grande importância na construção da história da Bahia.
    Seu blog trouxe aspectos importantes da nossa história como o surgimento dos bairros, como a urbanização de um local pode conter tanta história e essencia de um povo .

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